A estação dos mosquitos: cuidados com bebês e crianças

28/07/2017 16:26

Há alguns anos estamos observando um aumento na frequência de algumas viroses no verão, estação do ano mais convidativa para viagens familiares para vários destinos. As mais conhecidas são a Dengue, Zika Vírus, Chikungunya e Febre Amarela que acometem crianças, adolescentes e adultos. Estas viroses causam febre e outros sintomas de intensidade leve ou moderada na maioria das pessoas.

No entanto, podem ser muito graves e provocarem sequelas permanentes, como é o caso da microcefalia observada em filhos de mães que contraíram Zika Vírus na gravidez. E podem ser fatais, como acontece na Dengue Hemorrágica e com maior frequência na Febre Amarela.

Confira algumas dicas dos nossos especialistas e proteja a sua família.

Tem como evitar a picada destes mosquitos que transmitem doenças?
Todas estas doenças são doenças causadas por mosquitos (principalmente o Aedes aegypti). Portanto, evitar picadas destes insetos é a melhor forma de prevenção. Esta tarefa não é fácil, especialmente em locais com alta densidade de mosquitos. Em primeiro lugar deve-se atuar na proteção de barreira, aonde incluímos as inúmeras formas de telas mosquiteiras (que devem ser item das janelas de casas e apartamentos). Para os bebês, telas próprias para carrinhos e berço ajudam bastante.

Os inseticidas são de grande ajuda, mas não eliminam totalmente o risco da picada. 1) Elétricos/de tomada: quaisquer marcas são boas, todos contém o mesmo tipo de inseticida. Podem ser usados em quaisquer idades e na casa toda, incluindo o quarto. Muito cuidado com a ingestão acidental, as crianças são muito curiosas. No caso de infestação de mosquitos, o uso de inseticidas spray pode ser realizado. 2) Aparelhos elétricos de "queimar" os mosquitos, com luzes ultravioleta, uma ventoinha, que  funcionam como aquelas viciantes raquetes, mas atraem os insetos. Funcionam bem para áreas externas e cobertas, mas também sem garantir que os mosquitos não entrem em casa. 3) Repelentes: ainda são um modo eficaz de proteção, e devem ser usados  nas crianças acima dos 6 meses de idade (e, em alguns casos, acima dos 2 meses). Recomendo que os pais leiam as bulas destes produtos para verificação da idade recomendada. Destaque para o DEET e para a Icaridina (ou Picaridina).
Sempre com todos os cuidados da aplicação de um produto químico em uma criança, porque todos podem causar alergias cutâneas ou irritação de mucosas, e mantendo os frascos sempre afastado das crianças - já tive também alguns casos de ingestão acidental em crianças.

Como vou saber se meu filho estiver com Dengue, Chikungunya, Febre Amarela ou Zika Vírus?
Essas doenças têm sintomas parecidos, como febre alta, dores articulares e musculares, dor de cabeça, dor nos olhos, exantema (manchas vermelhas pelo corpo), mal estar geral. É muito difícil para os pais diferenciarem qual a virose em questão, sendo necessária uma avaliação médica. Alguns exames laboratoriais podem auxiliar no diagnóstico do vírus envolvido ou na mensuração da gravidade e acometimento de órgãos específicos, como fígado, rins e sistema nervoso.

Posso usar repelente no meu bebê?
De um modo geral os repelentes podem ser utilizados em bebês com mais de 6 meses, mas há uma limitação de acordo com a faixa etária. Recomendo que os pais sigam a orientação do fabricante de cada produto. Bebês em áreas de alto risco devem receber um cuidado especial, e todo o esforço deve ser direcionado para que o mosquito não chegue por perto.

Vou viajar para uma região diferente da que eu moro, posso vacinar minha família contra a Febre Amarela?
Os casos de Febre Amarela são registrados em regiões rurais ou de mata, transmitidos pelos mosquitos Haemagogus ou Sabethes. Por enquanto, não foi detectada a transmissão da doença pelo Aedes aegypti, mais famoso pela Dengue, Zika Vírus e Chikungunya e por gostar das áreas urbanas. No entanto, é possível que uma pessoa infectada em zona rural vá para uma cidade. Uma vez picada por um mosquito Aedes aegypti, o inseto poderia transmitir para outra pessoa, e assim por diante. A boa notícia é que isso não aconteceu ainda, de acordo com fontes do Ministério da Saúde e opinião de médicos especialistas.

Portanto, não há motivos para pânico para quem vive em uma região urbana, como é o caso de São Paulo. Pessoas não contaminam pessoas por contato direto, é necessário o mosquito para o ciclo da doença. Além disto, a Febre Amarela pode ser evitada com o uso de uma vacina segura e eficaz, disponível para crianças a partir de 9 meses de idade. Uma única dose já protege.  Segundo o Ministério da Saúde, a imunização é recomendada para todas as pessoas que residem em Áreas com Recomendação da Vacina contra Febre Amarela e aqueles que vão viajar para regiões silvestres, rurais ou de mata. Os estados do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro estão fora da área de recomendação para a vacina. Alguns grupos de pessoas não podem ser vacinadas: pessoas com algumas doenças autoimunes, câncer, HIV, imunodeficiência, grávidas, idade acima de 60 anos e risco de alergia à gelatina do ovo. Em crianças há um esquema especial, com duas vacinas até os 5 anos de idade.

Dr. Claudio A. Len (CRM-SP: 59.931)
Pediatra da Clínica Len de Pediatria.
Pediatra formado em 1987 pela Faculdade de Medicina da Santa Casa de São Paulo. Fez Residência Médica em Pediatria na Escola Paulista de Medicina. Nesta mesma instituição fez Mestrado e Doutorado em Reumatologia Pediátrica e atualmente é Professor da Disciplina de Alergia, Imunologia Clínica e Reumatologia do Departamento de Pediatria. Título de Especialista em Pediatria desde 1990. Médico do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein.

Dr. Jairo Len (CRM-SP: 76.705)
Médico do Departamento Materno-Infantil do Hospital Israelita Albert Einstein
Médico Pediatra formado em 1992 na 55ª turma da Escola Paulista de Medicina. Fez Residência Médica na área de Pediatria Geral na Escola Paulista de Medicina - Universidade Federal de São Paulo. Especialização em Endocrinologia Infantil na mesma Instituição. Título de Especialista em Pediatria desde 1997. Membro da Sociedade Brasileira de Imunizações e da Sociedade Brasileira de Pediatria.

Recomendamos a leitura do blog da Clínica Len: http://clinicalen.blogspot.com.br.

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